Berserk: Um homem só amadurece quando aprende a perder

Na vida, desde de pequenos, nessa era de tecnologia, de infinitas possibilidades, somos ensinados a crescer e ganhar, mas quem nos ensina a diminuir e perder?

Guts foi um caso muito mais comum aos pequenos de outras eras menos tecnológicas, ele nasceu perdendo tudo. Sem pai, sem mãe, a sorte o fez ficar vivo. E o azar o fez sofrer.

Sem rumo e sem objetivo, apenas quando Guts empunha sua espada ele se sente vivo, ou melhor, apenas um sobrevivente.

Mais tarde, quando se junta ao Bando do Falcão, Guts descobre a amizade. Pela primeira vez tem pessoas queridas, alguém por quem se importar.

Entretanto, quando Griffith, seu melhor amigo, revela em uma conversa com a princesa que para ele um amigo seria alguém do mesmo nível, e não alguém abaixo dele, Guts se sente trocado, substituível, assim como a maioria de nós se sente quando descobrimos que nosso trabalho pode ser feito por qualquer outro, que talvez até cobre menos.

Nessa dor da substituição, Guts sentiu que para não perder o amigo deveria seguir em frente, e abandonar também o amigo, relembrando assim como antes todos o abandonaram. Mas essa separação provocou saudades, como quando um jovem se arrisca em uma imigração a trabalho sem saber no que isso vai dar. A distância da família, dos amigos, é uma perda. E tem que se agarrar ao que ele foi ate ali buscar, o emprego, ou um sonho.

Esse sonho chega em um patamar que parece possível, realizável, até que um ato errado, como o desejo de Griffiths por poder, ou ver sair pelas mãos a oportunidade tão prometida com uma mera ligação, ou uma mudança em uma lei, torna tudo a perder. De repente surge a dor de admitir uma decisão errada ao escolher sair do Bando, ou de casa. A dor junto do erro forçam o retorno, mas agora tudo é diferente: você é um homem que tinha algo e agora perdeu tudo.


Agora hoje eu só quero ouvir essa versão de Gatsu:

Bleach: Kyōraku Shunsui x Lille Barro

Desde que assisto Bleach, de volta as tempos de ensino médio (e quanto tempo já faz!), um dos meus personagens favoritos era o Capitão da Oitava Divisão, Shunsui. Não apenas por ele ser um dos poucos empunhando duas espadas, como o Krian faz, mas por sua postura perante as coisas, a calmaria e tranquilidade andam de mãos dadas com a responsabilidade e seus valores.

Minhas expectativas quanto a ele sempre foram altas, e acredito que todos ficaram na mesma frequência quando na luta contra Stark, Shunsui insinuou usar sua Bankai e Ukitake prontamente respondeu: “Não aqui próximo de todo mundo.”

Finalmente após anos dessa luta, na batalha que acompanhei a primeira vez no mangá, e recentemente revi pelo anime, Shunsui, agora como Capitão da Primeira Divisão, se afastou de todos e encarou sozinho o terrível sniper quincy Lille Barro.

Finalmente sendo forçado a usar a sua Bankai, em uma situação favorável para a mesma, ele e Kubo nós dão um show em uma habilidade que é do mais puro storytelling. Divida em quatro atos, assim como uma boa história, o teatro suicida (Katen Kyōkotsu: Karamatsu Shinjū) transforma todos na cena em atores forçados, no caso Lille fazendo o papel do homem, e Shunsui o da mulher, que ao final assassina o próprio marido, em um final digno de tragédia.

A suposta morte do quincy nos revela sua identidade completa, um semideus criado pela Majestade Quincy e que não pode ser morto por uma espada comum. E que praticamente leva Shunsui a considerar desistir da luta, não fosse a responsabilidade com seu cargo e sua resistência descomunal.

Sua imediata, a tenente Nanao, surge neste momento, e conhecemos finalmente a história por trás do quimono de mulher que o Capitão veste por cima. Lidando com o inesperado, Nanao revela sua espada, uma espécie de relíquia de família quadrada, sem lâmina, mas capaz de cortar Deuses (conveniente um pouco demais, eu sei), e finalmente conseguem lidar de vez com o semideus em um golpe em que sabiam que caso não funcionasse seria a morte de ambos.

Concluindo: O que tanto gosto dessa luta do Shunsui é o seu contraste. Onde um homem como ele, que não queria e nem gostaria de assumir responsabilidades, mesmo assim o fez, porque ele entende a importância da sua posição e agiu de acordo, mesmo enfrentando um semideus.

O Capitão da Primeira Divisão estava disposto a se sacrificar pelo grupo e pela responsabilidade que ele não queria assumir desde o começo como líder dos Shinigamis.

Ainda, ele foi capaz de ferir esse semideus (não apenas fisicamente, mas mesmo no orgulho), até então intocável, além da luta tratar de certo modo da dualidade das sombras e da luz, do Deus da morte (tradução literal de Shinigami) contra o Deus sob os céus.

shinra e burns

Fire Force: Como que Shinra venceu Burns?

Burns era um sacerdote, um homem de fé, que viveu em função da sua fé e crenças a vida inteira.

Nesse momento da batalha, Burns confrontava não apenas Shinra, mas a sua própria crença em sua fé, a qual dedicou toda a sua vida, e não podia simplesmente deixar de crer agora.

Com a resistência de Obi, Burns começa a perceber a resistência e força de vontade da companhia 8, a nova geração, e então a partir desse momento ele para de reagir contra Shinra, e a luta passa ser mais um passar de tocha.

Onde o próprio Burns se torna a muralha da antiga crença que deve ser derrubada por Shinra e seus aliados,

Assim, Burns não deixa em momento algum sua fé de lado, ao mesmo tempo que supera o dilema do que era o certo a se fazer na situação atual do mundo com seu sacrifício.

Quando você descobre que tudo o que você acreditou por toda a sua vida foi criado para o mau, ou você trai aquilo que você é, ou você morre defendendo aquilo que você foi.

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