Na vida, desde de pequenos, nessa era de tecnologia, de infinitas possibilidades, somos ensinados a crescer e ganhar, mas quem nos ensina a diminuir e perder?

Guts foi um caso muito mais comum aos pequenos de outras eras menos tecnológicas, ele nasceu perdendo tudo. Sem pai, sem mãe, a sorte o fez ficar vivo. E o azar o fez sofrer.

Sem rumo e sem objetivo, apenas quando Guts empunha sua espada ele se sente vivo, ou melhor, apenas um sobrevivente.

Mais tarde, quando se junta ao Bando do Falcão, Guts descobre a amizade. Pela primeira vez tem pessoas queridas, alguém por quem se importar.

Entretanto, quando Griffith, seu melhor amigo, revela em uma conversa com a princesa que para ele um amigo seria alguém do mesmo nível, e não alguém abaixo dele, Guts se sente trocado, substituível, assim como a maioria de nós se sente quando descobrimos que nosso trabalho pode ser feito por qualquer outro, que talvez até cobre menos.

Nessa dor da substituição, Guts sentiu que para não perder o amigo deveria seguir em frente, e abandonar também o amigo, relembrando assim como antes todos o abandonaram. Mas essa separação provocou saudades, como quando um jovem se arrisca em uma imigração a trabalho sem saber no que isso vai dar. A distância da família, dos amigos, é uma perda. E tem que se agarrar ao que ele foi ate ali buscar, o emprego, ou um sonho.

Esse sonho chega em um patamar que parece possível, realizável, até que um ato errado, como o desejo de Griffiths por poder, ou ver sair pelas mãos a oportunidade tão prometida com uma mera ligação, ou uma mudança em uma lei, torna tudo a perder. De repente surge a dor de admitir uma decisão errada ao escolher sair do Bando, ou de casa. A dor junto do erro forçam o retorno, mas agora tudo é diferente: você é um homem que tinha algo e agora perdeu tudo.


Agora hoje eu só quero ouvir essa versão de Gatsu: